O caso do Sr. Adauto ilustra a importância de conhecer os efeitos adversos dos medicamentos quando planejamos prescrever anti-hipertensivos. Ele apresenta inúmeros problemas clínicos – alguns ainda incipientes – e utiliza drogas que potencialmente podem interagir entre si. Por outro lado, ele é resistente à idéia de se tratar. Nas palavras dele “estou me sentindo muito bem; estes medicamentos sempre me fazem algum mal”.
Começando pela prescrição de diuréticos, por exemplo o uso de tiazídicos pode piorar a intolerância à glicose, causar hipocalemia e hiponatremia, precipitar gota, elevar lipidios séricos e causar disfunção erétil. Além disso, sintomas inespecíficos como cefaléia, tonteira e fraqueza muscular também podem aparecer. Vale lembrar que o efeito diurético é parcialmente bloqueado por antiinflamatórios não hormonais. Os diuréticos de alça são reservados para situações de hipertensão associada a insuficiência renal e insuficiência cardíaca.
Com relação aos betabloqueadores, broncoespasmo, bradicardia, distúrbio da condução antrioventricular, vasoconstrição periférica, insônia, pesadelos, astenia, e disfunção erétil são os principais efeitos colaterais, lembrando que não devem ser utilizados em pacientes asmáticos ou com crises de broncoespasmo. Os betabloqueadores de primeira e segunda gerações podem ainda gerar certa intolerância à glicose (proporcionando novos casos de Diabetes) e hipertrigliceridemia, com aumento do colesterol LDL e redução do HDL. Em contrapartida, os de terceira geração apresentam efeito benéfico sobre o metabolismo glicídico e lipídico. Ainda é importante lembrar que os betabloqueadores apresentam diferentes constantes de lipossolubilidade. Dessa forma, podem gerar variados níveis de efeitos colaterais no sistema nervoso central.
Em relação ao uso de inibidores da enzima de conversão da angiotensina é válido ressaltar que podem causar tosse seca, alteração do paladar e, mais raramente reações de hipersensibilidade com erupção cutânea e edema angioneurótico. Além disso, em pessoas com insuficiência renal crônica podem agravar a hiperpotassemia. Em indivíduos com hipertensão renovascular bilateral ou unilateral associada a rim único, podem promover redução da filtração glomerular com aumento dos níveis séricos de uréia e creatinina. Seu uso em pacientes com função renal reduzida pode causar aumento de até 30% da creatininemia, porém, a longo prazo, prepondera seu efeito nefroprotetor. É importante ressaltar que seu uso é contraindicado na gravidez devido aos riscos de complicações fetais.
Já no caso dos bloqueadores dos canais de cálcio, os efeitos colaterais mais comuns incluem: cefaléia, tontura, rubor facial, edema malelar de mmii, constipação intestinal, ação cardiodepressora, bradicardia e BAV de todos os graus. Apesar disso, são os vasodilatadores de primeira escolha no caso de HAS. Os BCCs também possuem ação anti-anginosa e anti-arrítmica, sendo uma boa opção terapêutica para o paciente idoso. Contudo, usados em associação com a Digoxina, podem gerar aumento sérico dessa, ocasionando a intoxicação digitálica. Além disso, o uso desses fármacos associados com betabloqueadores em pacientes com disfunção ventricular esquerda ou retardo da condução atrioventricular, pode ocasionar distúrbios da conduçaõ cardíaca e depressão miocárdica, como BAVs, bradicardia, insuficiência cardíaca e morte súbita.
Para os alfabloqueadores pode-se atribuir vários efeitos colaterais. Entre eles destacam-se hipotensão e síncope após a primeira dose, razão pela qual devem ser administrados em pequenas doses e na hora do indivíduo se deitar. Com o tratamento por períodos prolongados pode ocorrer palpitações, cefaléias e nervosismo. Isso ocorre devido a seu efeito em vasodilatador com diminuição da resistencia vascular periférica. Além disso, alguns estudos mostram que pacientes em uso de doxazosina como terapia inicial apresentam mais internações devido a insuficencia cardiaca e mais episódios de AVE que pacientes que utilizavam diuréticos. Uma ressalva importante é seu uso para pacientes com sintomas de prostatismo com HAS, que levam, alem do controle da PA, melhora do prostatismo.
Os bloqueadores do receptor AT1 apresentam bom perfil de tolerabilidade. Entretanto, foram relatadas tontura e, mais raramente, reação de hipersensibilidade cutânea (“rash”).
Os inibidores diretos da renina também apresentam boa tolerabilidade. Entretanto são relatados como efeitos colaterais mais frequentes o “Rash” cutâneo, diarréia (especialmente com doses elevadas, acima de 300mg/dia), aumento de CPK e tosse. Contudo, a incidência desses eventos é inferior a 1%. O uso dos inbidores diretos de renina é contraindicado na gravidez.
Os vasodilatadores diretos devem sempre ser associados à diuréticos ou bloqueadores simpáticos, e devem ser usados com cautela em pacientes com doença coronariana por poder desencadear isquemia miocárdica. Os efeitos colaterais são cefaléia, nauseas, flush, hipotensão, palpitações, taquicardia e angina pectoris. Podem ocorrer manifestações imunológicas como síndrome de lupus induzida por droga, doença do soro, anemia hemolítica,vasculite e glomerulonefrite rapidamente progressiva.
Outros classe de fármacos seria Inibidores adrenérgicos de ação central, que atuam reduzindo o tônus simpático, como fazem a alfametildopa, clonidina, guanabenzo e inibidores dos receptores imidazolidínicos, como moxonidina e rilmenidina. As reações adversas são, em geral, sonolência, boca seca, fadiga, hipotensão postural e disfunção sexual. A alfametildopa pode provocar galactorréia, anemia hemolítica e lesão hepática, embora em baixa frequência. No entanto, ela é agente de escolha para tratamento de hipertensão das grávidas. No caso da clonidina, há ocorrência mais acentuada de boca seca e destaca-se a hipertensão de rebote no caso de suspensão brusca da medicação.
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